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Lição 5 · Apocalipse 2.18-29

Tiatira

Amor e serviço em meio à tolerância com o pecado

domingo, 04 de outubro de 2026

“Tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa e, com o seu ensino, engana os meus servos, induzindo-os à imoralidade e ao comer de coisas sacrificadas aos ídolos.” (Ap 2.20)

Para ler e meditar durante a semana

  • D — Jo 14.1-15-24 — Jesus é a verdade
  • S — Jo 16.1-24 — O Espírito da verdade
  • T — Jo 17.1-26 — A tua palavra é a verdade
  • Q — 2Tm 2.24-26 — Disciplinados com mansidão
  • Q — 2Tm 3.1-5 — Zelo pela verdade
  • S — Gl 5.19-26 — Idolatria, obra da carne
  • S — Cl 3.1-12 — Despojai-vos e revesti-vos

Introdução

J.D. Charles escreveu que “o que era uma virtude pública em seu estado anterior torna-se um vício se, quando cessa de se importar com a verdade, ignora o bem comum e desenha os valores que sustentam uma comunidade”. A cultura da tolerância, na qual hoje nos encontramos, é uma cultura em que as pessoas não acreditam em nada, não têm um conceito claro do certo e do errado e são notadamente indiferentes a essa situação precária. Como resultado dessa transmutação, a tolerância torna-se indistinguível de um relativismo intolerante.

O desafio a ser enfrentado pelas pessoas de fé é aprender como purificar a tolerância para que permaneça uma virtude, sem sucumbir às forças centrípetas do relativismo e do espírito da era (D.A. Carson. A intolerância da tolerância. Cultura Cristã, p. 79).

Sob essa perspectiva, consideraremos a tolerante (relativista?) igreja de Tiatira, que estava sob a ameaça de deixar de ser igreja devido às suas imposturas.

I. Identificação de Jesus

O Senhor Jesus se apresenta repetindo as palavras de Ap 1.14-15, “aquele que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido”, figuras que ecoam as palavras do profeta Daniel 7.9 e 10.6. Os olhos de fogo, conforme Ap 19.12, descrevem o olhar judicativo de Cristo, para nos lembrar que o seu olhar ultrapassa qualquer fronteira e, por essa razão, ele vê todas as igrejas e tem a competência infalível de diagnosticar o seu real estado.

Os pés são o fundamento. Cristo não tem pés de barro, nós é que temos (Dn 2.33-34,41-42). Nós é que somos frágeis, falíveis e vulneráveis, porém, os pés de Cristo são o seu fundamento e o alicerce de toda a sua igreja. Não há outro que possa ser comparável a ele (1Co 3.11).

“Conheço as tuas obras”, diz o Senhor às igrejas de Éfeso, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia, expressando sua intimidade e proximidade com a igreja. Cristo tem a máxima familiaridade com sua igreja (Jo 10.14-15).

Olhos como chama de fogo e pés semelhantes ao bronze polido: Cristo conhece profundamente sua igreja (Ap 2.18-19). Toque na imagem para ampliar.

II. Uma igreja atuante, porém…

Desse conhecimento provém o seu diagnóstico. Jesus aponta objetivamente tanto os pontos positivos quanto os negativos de Tiatira, reconhecendo que suas obras havia sido eficaz ali, porém, o desvio daqueles irmãos começava a comprometer gravemente a santidade da igreja.

Cinco virtudes são destacadas: obras, amor, fé, serviço e perseverança. Todas essas virtudes estavam em franco crescimento, tendo em vista que as últimas obras eram mais numerosas do que as primeiras, o que nos mostra uma igreja ativa, amável e zelosa pela próxima.

As obras, o amor e o serviço da igreja destacam o cuidado que havia de uns pelos outros, os trabalhos de comunhão, oração e ajuda mútua. A fé e a perseverança sugerem algum período de perseguição que eles enfrentaram e resistiram firmemente. Embora haja correções a serem feitas na igreja, o Senhor não deixa de destacar que registrou as virtudes de Tiatira.

O fato de as últimas obras serem mais numerosas do que as primeiras estava revela que as cinco obras elencadas estavam em franco desenvolvimento, que comparar com a igreja de Éfeso, que havia sido repreendida por falta do primeiro amor. O que Tiatira tinha de sobra faltava aos efésios.

Obras, amor, fé, serviço e perseverança cresciam entre os irmãos de Tiatira (Ap 2.19). Toque na imagem para ampliar.

III. Uma dose de intolerância

Porém, a igreja tinha de prestar contas do seu ponto fraco: a sua tolerância com o erro. E, mais uma vez, de Éfeso, em algo que ela foi elogiada, porque não suportava “homens maus” e hereges em seu meio. A igreja, que é uma esfera particular e voluntária, tem uma confissão e um país que nos permite a liberdade religiosa, como o próprio Estado também nos permite uma conduta moral, isso não nos impediria de fazê-lo. Porém, não dependemos da anuência política para sermos cristãos. Considerando que vivemos num país em que esse direito nos é garantido, temos o direito e, sobretudo, o dever bíblico de zelarmos pela pureza da igreja, e que nos impõe critérios para quem deseja ser membro de nossa igreja.

A verdade de Deus ilumina o caminho e dá discernimento para não tolerar aquilo que corrompe a igreja. Toque na imagem para ampliar.

IV. Características de Tiatira

Seguindo as informações de Kistemaker (Apocalipse, p. 146), Tiatira era uma cidade muito bem localizada, havia rota comercial entre Pérgamo e Sardes e Esmirna. Ela foi conquistada pelos romanos em 190 a.C. e se tornou um importante foco comercial com a presença de variadas profissões, como padeiros, curtidores, pintores, oleiros etc. Esse comércio estava sob a tutela de guildas, que eram sindicatos adoradores dos deuses Ártemis e Apolo.

Considerado que o trabalho contava com a “bênção” desses deuses, somente os trabalhadores que a eles fossem devotos é que teriam chance de progredir. Por essa razão, o o seu espaço comercial começaram a perder a sua importância e a enfrentar a pobreza. “Os cristãos que se recusavam a honrar os deuses pagãos, a comer carne sacrificada aos ídolos e a praticar a imoralidade sexual arriscavam sua existência material. Eram considerados párias pela sociedade”, diz o comentarista.

As guildas de Tiatira uniam trabalho e culto pagão, pressionando os cristãos a negociar sua fidelidade. Toque na imagem para ampliar.

V. Idololatria e prostituição

Na denúncia de Jesus, ele destaca uma mulher, Jezabel, que se autodeclarava profetisa, ensinava e induzia os membros da igreja à prostituição e a comerem carne sacrificada a ídolos (v.20). Provavelmente, Jezabel não era o nome literal dessa mulher. Este nome é usado para trazer à memória a infame esposa fenícia de Acabe, casal responsável por instituir a adoração de Baal como oficial em Israel (1Rs 16.31-33; 21.25; 2Rs 9.22).

A indução à prostituição se refere primeiramente à idolatria, que é o motivo pelo qual Deus repreende diversas vezes Israel por quebrar os dois primeiros mandamentos (Êx 20.3-6; Dt 5.7-10; Jr 7.7-10; Ez 16, 23), mas também pode ser entendida como a prática sexual entre os adoradores dos templos pagãos, onde os cristãos começaram a se corromper.

Persuadidos por aquela profetisa, muitos foram convencidos de que não haveria problema ter relações com outras pessoas para salvar seus negócios, a fim de não caírem na indigência.

A tolerância da igreja de Tiatira, portanto, agredia mandamentos claríssimos de Deus quanto à participação em cerimônias dedicadas a demônios e quanto a pecados sexuais. Deus amava a igreja de Tiatira, mas não poderia ser indiferente ou ser conivente com o seu pecado e vícios e, por essa razão, deu-lhe um tempo para que se arrependesse. Foi essa a recomendação de Paulo a Timóteo, que os que se encontram “cativos” pelo diabo (2Tm 2.26) fossem disciplinados com mansidão, “na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (v.25).

De alguma maneira, Deus sempre quer nos comunicar a sua verdade, nos instruir, disciplinar e nos despertar da sonolência do pecado. Porém, o prazo para “ouvir” e se arrepender tem limite, e Deus estabelece um tempo perfeito e justo para cada um de nós.

Cristo concede tempo para o arrependimento e chama seu povo a abandonar a idolatria e a imoralidade (Ap 2.21). Toque na imagem para ampliar.

VI. Cristo quer a purificação da igreja

Se não atentarmos às suas advertências, Cristo nos tratará como for necessário, a fim de que a sua igreja seja purificada. Não podemos esquecer que o Senhor Jesus nos ama profundamente e sempre nos amará. Ele já provou isso. Contudo, enquanto ele mantém os seus olhos atentos a cada um de nós, ele também mantém os olhos sobre a igreja de modo geral e trabalha para vê-la cada dia mais bela, mais pura (Ef 5.27).

Por essa razão, os v.22-23 nos revelam a profunda ira de Cristo contra o pecado, alertando-nos sobre o risco de deixarmos de observar os seus mandamentos. Por algum tempo, Deus permite que o pecador se mantenha numa vida de pecado e desobediência, “[…] deixou-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos” (Sl 81.12). Se nada escapa ao seu controle soberano, em sua sabedoria infinita ele não disciplina nem pune imediatamente cada transgressão ou blasfêmia que sofre diariamente, mas já tem, em sua mente, o tempo adequado e a maneira de agir com cada um de nós.

Essa descrição que Cristo faz de si mesmo o revela numa posição superior à de César e a toda divindade romana. E não apenas ele, mas todos os crentes que compartilham da sua glória. Portanto, aqueles fiéis de Tiatira, ainda que sofressem desprezo pelos membros idólatras da própria igreja, ou ainda que a cidade os perseguisse por não se renderem às conveniências luxuriosas e imundas da sociedade e do comércio, brilhariam juntamente com Cristo.

Ao vencedor, Cristo promete autoridade e a estrela da manhã: uma esperança que sustenta a fidelidade (Ap 2.26-28). Toque na imagem para ampliar.

Conclusão

A igreja de Tiatira tinha virtudes e defeitos, razão tanto para receber encorajamento de Jesus como para ser ameaçada de disciplina, caso não se arrependesse.

Hoje, precisamos prestar atenção para averiguar se o Senhor Jesus tem visto essas mesmas virtudes em nós hoje e se, porventura, não temos aberto demais as portas da igreja para as influências idólatras e promíscuas de nossa sociedade.

Aplicação

  • 1

    Analise sua vida, observe se você não tem negociado princípios bíblicos a fim de agradar pessoas. Somos sempre tentados a reduzir nossos padrões de fidelidade com o fim de sermos mais aceitos pelas pessoas. Cuidado para não cometer esses mesmos erros.

Fixando o aprendizado

Perguntas e respostas

Pergunta 1 de 8

Qual é a referência bíblica da lição sobre Tiatira?

Igreja Presbiteriana de Itapuca

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