
Lição 3 · Apocalipse 2.8-11
Esmirna: uma igreja rica
Mas sofria muito…
domingo, 13 de setembro de 2026
“Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico)… Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.9-10)
Para ler e meditar durante a semana
- D — 2Co 6.4-13 — Abnegação e fidelidade
- S — 2Co 8.1-24 — Deus sustenta os generosos
- T — 2Co 9.1-15 — Quem semeia colhe
- Q — 2Co 11.1-33 — Tudo é suportável em Cristo
- Q — Fp 4.10-20 — Contentamento
- S — Sl 40.1-17 — Deus cuida de mim
- S — Sl 23.1-6 — Nada me falta
Introdução
Esmirna é a segunda igreja para a qual o Senhor Jesus envia uma carta. Essa igreja — como a de Filadélfia — não recebe qualquer reprovação, apenas destaque para sua virtude e estímulo à perseverança.
Este estudo nos lembrará que, enquanto estivermos neste mundo, estamos sujeitos a enfrentar decepções e sofrimentos arrasadores. Porém, se mantivermos firmes a nossa fé e toda a nossa concentração nas promessas de Cristo, teremos coragem e perseverança.
I. O Cristo ressurreto
Nesta carta, Cristo se apresenta como o primeiro e o último, que estava morto, mas ressuscitou (Ap 2.8). Essa é uma apresentação apropriada e encorajadora para uma igreja que está sendo avisada de que enfrentaria tribulação.
Cristo já se revelara de forma maravilhosa, em toda a sua majestade (Ap 1), e agora lembra à igreja que havia enfrentado um processo de dor e sofrimento para conquistar sua vitória. Embora sempre tenha sido o Senhor da glória (Jo 17.5), ele assumiu a condição humilhante ao se tornar homem (Fp 2.5-8), em semelhança de carne pecaminosa (Rm 8.3); e foi no despojamento de sua glória que venceu o mundo e o maligno (Jo 16.33; Mt 4.1-11; Hb 4.15).
Ainda que tivesse uma legião de anjos sob o seu comando (Mt 26.53), ele optou por não usar suas prerrogativas divinas. Jesus se sujeitou a todo o processo porque compreendia que esse era o cálice que ele devia tomar (Jo 18.11): era parte de sua missão.
A mensagem é clara: assim como eu enfrentei a morte e a ressurreição, o sofrimento e a glória, vocês também terão de suportar um período de sofrimento, mas depois experimentarão a glória comigo. Era assim que Paulo via sua própria vida: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24).
Cristo sofreu de uma vez por todas, comprando a nossa redenção. Mas, ao dizer “o que resta”, Paulo vincula o Senhor Jesus aos sofrimentos presentes de toda a igreja (2Co 4.10; 2Tm 2.11-12). O mesmo acontece com Esmirna: ela não sofreria sem motivo nem por casualidade, mas com um propósito claro — participar dos sofrimentos de Cristo.
II. Uma igreja rica
A condição social da igreja até pode sinalizar sua condição espiritual e moral, mas isso nunca é determinante. Em nossos dias, quando uma igreja aumenta a sua arrecadação, temos a tendência de interpretar isso como bênção. A prosperidade pode indicar aumento na fidelidade dos irmãos e no desejo de expandir o evangelho — porém, nem sempre é verdade. Igrejas prósperas também podem aumentar sua corrupção, levando à ostentação, à competição com outras denominações e a construções suntuosas.
O Novo Testamento não condena a riqueza nem exalta a pobreza, mas ensina com solidez que a condição espiritual de uma pessoa independe de sua circunstância material (Fp 4.10-13). E Deus, para nos ensinar a confiar nele, muitas vezes faz uso da pobreza, como acontecia com Esmirna. É provável que, devido à perseguição dos judeus e dos romanos, os cristãos daquela igreja estivessem perdendo seus empregos, o que aumentava sua angústia e falta de condições de subsistência.
O Novo Testamento relativiza os paradigmas sociais estabelecidos: quanto mais próspero o crente, mais abençoado ele seria. É o caso do homem rico que procurou Jesus e saiu triste ao ouvir que precisaria se desfazer de seus bens (Lc 18.18-24). Ao ouvirem “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!”, os ouvintes se espantaram: “Sendo assim, quem pode ser salvo?” — pois atrelavam prosperidade financeira à aceitação da parte de Deus.
Além disso, o Senhor Jesus antecipa que as tribulações aumentariam por causa da “blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás” (Ap 2.9). A expressão revela dois aspectos: aqueles judeus eram instrumentos de Satanás (Jo 8.44; Rm 2.28-29; Gl 3.6-7); e, conforme Beale, identificar aquela comunidade como falsos judeus “confirma novamente que a igreja é vista por Cristo como sendo o verdadeiro povo de Deus, o verdadeiro Israel”.
Dois problemas de Esmirna devem chamar a atenção das igrejas atuais: perseguição e pobreza. Quando aparecem, podem levar as pessoas a deduzir que quem as enfrenta não é fiel. A lei da semeadura, aplicada de maneira irresponsável, faz crentes acreditarem que fazer o bem sempre resulta em bênçãos materiais. Mas pobreza e perseguição podem vir justamente como resultado de uma vida de compromisso com Deus — afinal, se o mundo odeia a Cristo, odiará também a igreja fiel (Jo 15.18).
“Tu és rico” é o atributo conferido pelo Senhor à igreja, contrastando com qualquer outra opinião sobre ela. Como lembra Calvino, “é certo que a pobreza, considerada em si mesma, é uma desgraça… Mas quando Deus tem em vista manifestar o seu favor, nenhuma dessas coisas há que ele não torne em bem e em felicidade. Saibamos, então, preferir o testemunho de Cristo a uma falsa opinião proveniente da nossa carne”.
III. A coroa da vida
A igreja já estava habituada a enfrentar perseguição, pobreza e desprezo, porém é alertada de que as lutas ainda não haviam terminado. “Não temas as coisas que tens de sofrer” (Ap 2.10) evoca uma das mais recorrentes exortações de Deus a Israel: “não temas” (Gn 15.1; Dt 1.21; Js 1.9; Is 41.10); e o próprio Jesus ecoou essa mensagem ao alertar seus discípulos sobre as tribulações.
Os dez dias do v.10 dificilmente são dez dias literais, pois a simbologia numérica do Apocalipse é abrangente. Trata-se de um tempo já predeterminado por Deus, que poderia ser curto, mas intenso. Nesse período o diabo seria o “mandante” do sofrimento da igreja, como foi com Jó (Jó 1.12; 2.6) e com Paulo (2Co 12.7). Isso, contudo, não justifica nossos pecados: “Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças” (1Co 10.13).
Aquele, porém, não era o fim. A provação é real e está na agenda de Deus para todo o seu povo, mas não marca o fim da história. Deus dá a palavra final, e sua palavra é de vitória. Por isso Esmirna, assim como nós, é encorajada pela recompensa final: a “coroa da vida”.
A coroa era a grinalda de flores que os atletas vencedores ganhavam. A coroa de Jesus é incomparavelmente melhor: não é de flores, mas da vida — daquele vencedor que “de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte” (Ap 2.11). O livramento da segunda morte deixa claro que muitos ali não se livrariam da primeira. Nenhum cristão deveria se surpreender com a possibilidade de enfrentar a morte por causa de sua confissão do evangelho (Mc 8.34; Tg 1.12).
Calvino nos lembra que, mesmo onde não há perseguição intensa, “o Senhor mostra a seus servos a vaidade da vida presente, disciplinando-os constantemente por meio de diversos sofrimentos, para que não esperem paz e tranquilidade nesta existência”, e para que não desenvolvam autoconfiança desordenada diante de bens tão frágeis e efêmeros.
Conclusão
A igreja de Esmirna estava sendo provada a se manter fiel diante de dois severos problemas: perseguição e pobreza. Até aquele momento, ela estava resistindo em fidelidade, e o Senhor Jesus revela sua apreciação e zelo pela igreja, antecipa que mais dificuldades viriam e a encoraja com promessas que superam qualquer valor ou benefício que este mundo possa oferecer.
Aplicação
- 1
Enfrentar injustiças sendo inocente e dificuldades financeiras sendo um trabalhador honrado são realidades a que todos os crentes estão sujeitos.
- 2
Se você está vivendo alguma dessas coisas, faça como Cristo exorta os irmãos de Esmirna: resista, porque a recompensa de Jesus é garantida a todos os que perseverarem até o fim.
- 3
Avalie o que você tem chamado de bênção: sua riqueza diante de Deus não se mede pela conta bancária, mas pela fidelidade a Cristo.
- 4
Ore pelos irmãos perseguidos hoje no mundo e ajude concretamente os que estão passando necessidade dentro da sua igreja.
Resumo em imagens
Percorra as seis lâminas na ordem para revisar a lição inteira.
- 101/06
- 202/06
- 303/06
- 404/06
- 505/06
- 606/06
Fixando o aprendizado
Perguntas e respostas
Pergunta 1 de 8