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Lição 4 · Apocalipse 2.12-17

Pérgamo: fé cristã e cultura

No mundo, mas sem fazer concessões

domingo, 20 de setembro de 2026

“Sei onde habitas, onde está o trono de Satanás… conservas o meu nome e não negaste a minha fé.” (Ap 2.13)

Para ler e meditar durante a semana

  • D — Sl 72 — O rei justo e seu reinado eterno
  • S — Nm 25 — O reino de Fineias
  • T — Dt 7.1-11 — Advertências contra a infidelidade
  • Q — Mt 18.1-14 — Os tropeços
  • Q — Lc 17.7-10 — Somos servos inúteis
  • S — Rm 8.17-25 — Sofrimentos presentes e glória futura
  • S — Sl 110 — O reino do Messias

Introdução

A cidade de Pérgamo nunca foi importante até se tornar capital do reino independente da dinastia dos atálidas (282–133 a.C.), depois da morte de Lisímaco da Trácia, um dos generais e sucessores de Alexandre o Grande. Átalo III foi o último rei dessa dinastia e entregou a cidade a Roma, que a fez capital da província romana na Ásia.

A cidade era conhecida por sua grande biblioteca, que possuía mais de 200.000 rolos de pergaminho, palavra que deriva do nome da cidade. Pérgamo, com os seus santuários locais, foi um importante centro religioso, onde se encontravam santuários a Zeus, Dionísio e Atena. Havia, de igual modo, o santuário a Asclépio, o deus da cura, cujo símbolo era uma serpente. Além disso, Pérgamo era o centro oriental do culto ao imperador romano.

Jesus diz à igreja de Pérgamo: “Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás” (Ap 2.13). Jesus sabe da situação dessa igreja presente na capital imperial do Império, uma cidade religiosa, intelectual e culturalmente sofisticada. Era um lugar onde a igreja era tentada a reinterpretar a fé nos termos dos cultos que estão à sua volta. Isso se chama sincretismo, algo condenado constantemente por Deus.

Onde há perseguição às testemunhas do evangelho, ali Satanás está presente. A igreja em Pérgamo estava sofrendo perseguição, como vemos no martírio de Antipas, servo de Cristo fiel até a morte. Mesmo nessa situação, a igreja não abandonou a confiança no Messias; antes, conservou o nome de Jesus e não negou a fé (Ap 2.13).

Nessa carta podemos observar três atitudes de Jesus para com a igreja de Pérgamo: ele conhece, ele ordena e ele recompensa.

I. Jesus conhece

Jesus conhece a nossa situação: “Conheço o lugar em que habitas” (v.13). A dificuldade da igreja de Pérgamo era se manter fiel, mesmo envolta por uma cultura idólatra, com uma organização política, econômica e familiar que tinha envolvimento direto com a religião, principalmente com a religião imperial. É importante ressaltar que, no mundo antigo, não havia separação entre vida cívica e vida religiosa.

Pérgamo era a capital da província e, como tal, centro do culto ao imperador. Ali era exigido dos cristãos que oferecessem incenso à imagem dos imperadores e que confessassem “César é Senhor”. Havia, então, uma disputa de lealdades: dois senhores exigindo submissão. Diante de qual trono os cristãos se prostrarão? Essa é a pergunta implícita na carta. A perseguição aos cristãos por não oferecerem incenso ao imperador era grande, considerada desobediência civil, punida com a morte.

Mesmo em meio a essas provações, Jesus afirma aos irmãos de Pérgamo: “Sei que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” (v.13). Provavelmente, Antipas foi morto por não se prostrar diante de César e não adorá-lo como Senhor. Satanás não venceu esse servo de Cristo, que deu testemunho de que há um único Senhor, Jesus, ressurreto dentre os mortos, diante de quem todo joelho se dobrará (Fp 2.10-11).

Após confirmar o testemunho de Antipas como exemplo para a igreja, Jesus mostra que não conhece apenas a fidelidade de seus servos, mas também a infidelidade do seu povo: “Tenho, todavia, contra ti algumas coisas” (v.14). A busca de aceitação levava a igreja a participar das práticas que estavam à sua volta: frequentar as festas, participar de cerimônias, fazer comércio. Confessar Jesus como Senhor significava retirar-se muito do convívio social, já que a vida social exigia um relacionamento com a idolatria.

Jesus aponta duas falsas doutrinas que invadiram a igreja. A doutrina de Balaão (v.14) faz referência ao conselho dado a Balaque, rei dos moabitas, com o intuito de levar o povo de Deus a se misturar com os povos vizinhos e abandonar o Deus vivo (Nm 22–25; Nm 31.16). A segunda é a dos nicolaítas (v.15), provavelmente um pequeno grupo cujo falso ensino misturava a doutrina de Cristo e dos apóstolos com as doutrinas do mundo, com o propósito de justificar suas práticas imorais.

Pérgamo: capital da província, centro do culto ao imperador — “onde está o trono de Satanás” (Ap 2.13). Toque na imagem para ampliar.

II. Jesus ordena

Jesus ordena à igreja que se arrependa dessas práticas imorais, que desonram o seu Nome: “[…] arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca” (v.16). O zelo de Cristo o leva a conclamar seu povo a mudar sua prática à luz da sã doutrina.

É importante observar que Jesus não aconselha a igreja ao arrependimento, mas ordena que ela se arrependa. O chamado ao arrependimento é um mandamento que exige resposta; caso contrário, o juízo virá sem demora (Sl 7.12).

Jesus, aqui, coloca-se como o novo Fineias, que vem ao seu povo com “a espada afiada de dois gumes” (Ap 2.12,16) para afastá-lo da idolatria e da prostituição. Ele pelejará contra os insubmissos e rebeldes que levam seu povo a tropeçar: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar” (Mt 18.6).

“Arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca” (Ap 2.16). Toque na imagem para ampliar.

III. Jesus recompensa

Jesus nos exorta a ouvir atentamente as suas palavras: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v.17). Por quê? Porque ele irá nos recompensar pela fidelidade à nova aliança firmada no seu sangue: “Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe” (v.17).

Àqueles que perseverarem até o fim, vivendo fielmente em uma sociedade apóstata, Jesus dará do “maná escondido”, referindo-se ao alimento que Deus enviava todos os dias para o povo durante a peregrinação no deserto (Êx 16.4-7,31,35). Essa história serve de exemplo para a igreja de Pérgamo, para que ela não se preocupasse quanto à sua vida social nem com as dificuldades provenientes dessa exclusão. Nem mesmo o martírio deveria amedrontá-los.

Não olhem para os ídolos da cidade em busca de refúgio, eles não podem ajudá-los (Sl 115). Não olhem para César e para a falsa paz que ele promete; Jesus promete a verdadeira paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14.27). Jesus é quem providencia tudo de que necessitamos, ele dará o maná escondido para nos sustentar nos momentos de provação.

No contexto da igreja de Pérgamo, a pedrinha branca era um sinal de admissão e aceitação em ambientes sociais. Isso quer dizer que, mesmo que o mundo rejeite, despreze e até mesmo mate os cristãos, eles são aceitos, recebidos e conhecidos por Jesus. Esse conhecimento é evidenciado pelo novo nome que eles recebem (v.17), como quando Deus muda o nome de Abrão para Abraão e de Jacó para Israel: a mudança ocorre quando o relacionamento das pessoas com Deus é transformado.

A mesma graça que nos predestinou, que nos chamou, que nos justificou e que nos santifica hoje é a que nos glorifica (Rm 8.30). Essa graça maravilhosa recompensa servos inúteis (Lc 17.10) e nos faz cantar com John Newton: “Graça maravilhosa! Quão doce é o som!”. O apóstolo Paulo escreve sobre essa glória a ser revelada em nós: “se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Rm 8.17-19).

“Dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca” (Ap 2.17). Toque na imagem para ampliar.

Conclusão

A igreja de Pérgamo não negou a fé completamente, contudo, deixou-se levar pela cultura circundante. A tentativa de manter a fé em Cristo em associação com ensinos falsos estava destruindo a igreja e fazendo com que o nome de Jesus fosse desonrado.

Mas a missão da igreja é o oposto, isto é, honrar o nome de Cristo e torná-lo cada vez mais conhecido. Portanto, corromper o seu ensino é corromper a sua reputação. Por isso, devemos tomar cuidado para que o nosso ensino e vida não sejam motivos de acusação, como o foram para os judeus infiéis: “[…] como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa” (Rm 2.24). Devemos nos lembrar de que o Senhor Jesus é o juiz da igreja (1Pe 4.17) e ele é zeloso pelo seu povo eleito.

Aplicação

  • 1

    Devemos atentar para o nosso envolvimento com a cultura idólatra à nossa volta.

  • 2

    Precisamos buscar sabedoria para discernir os tempos, observando atentamente a sã doutrina, sem fazer alianças espúrias nem viver preocupados com a aceitação social.

  • 3

    Deus, em Cristo, é fiel e cuidará de nós; por isso, não é preciso buscar refúgio em falsas promessas de paz que o mundo oferece.

  • 4

    Temos um Senhor presente com o seu povo para buscar os que se arrependem dos seus maus caminhos e julgar os falsos mestres que entram no seu meio para fazê-lo tropeçar.

  • 5

    Busque no poder do Espírito Santo ser fiel, e Cristo o recompensará.

Resumo em imagens

Percorra as seis lâminas na ordem para revisar a lição inteira.

  1. 101/06
  2. 202/06
  3. 303/06
  4. 404/06
  5. 505/06
  6. 606/06

Fixando o aprendizado

Perguntas e respostas

Pergunta 1 de 8

Como Cristo se apresenta à igreja de Pérgamo?

Igreja Presbiteriana de Itapuca

Material de apoio para pequenos grupos, classes de discipulado e Escola Dominical.

Criado comamoramor pelaAgência Publikkar

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